Ontem fui ao Cine Teatro de Condeixa assistir ao concerto da Filarmónica da Boa Vontade Lorvanense.
Abençoada hora em que decidi contrariar o corpo cansado da apanha da azeitona. (O Sábado é dia da ligação à “terra”, de ouvir os passarinhos e libertar o espírito, ocupando o corpo nas tarefas sazonais).
Ao contrário de outras pessoas que estiveram presentes e afirmaram não percebem nada de música, eu entendi e percebi a música sem a saber ler. Pelo menos sei distinguir a harmonia dos sons em oposição ao ruído. Com base neste meu “ conhecimento de musica” posso dizer que gostei do concerto. E porque estive atento às palavras do Maestro Adriano Almeida, segui os seus conselhos e aprendi. Percebi, entre outras coisas, que a razão do sucesso do projecto Boa Vontade está na humildade, no bairrismo e na igualdade de oportunidades.
Foi espantoso, senão admirável, ver uma tão grande quantidade de jovens em palco num sábado à noite. E na plateia? Quantos jovens assistiram ao espectáculo apoiado pelo Ministério da Cultura? Zero…(porque se falhar, o número cinco, tantos os dedos duma mão aberta, corrigirá o erro com rigor absoluto).
Por esta altura, muitos dos jovens de Condeixa enchiam os restaurantes da Vila em múltiplos jantares temáticos num ritual de iniciação à noite, bem mais apelativos e promissores (no imediato para eles) do que estar fechado numa sala cheia de “cotas”, sem comodidades, iluminação ou visual para cativar.
Não acredito que o problema seja dos jovens. É um problema da Cultura e de Culturas. Alguém não fez o trabalho de casa. Bastaria um jovem por turma, das Escola de Condeixa que também trabalham para a Cultura(?), para compor o Cine Teatro.
Conclui por esta altura, o que já tinha concluído há muito: a maior proximidade (de Condeixa) ao litoral não é proporcional a um maior desenvolvimento Cultural. As gentes do interior são mais bairristas e evidenciam um maior amor à sua terra, bem patente na plateia durante todo o espectáculo.
Ponto alto para não dizer altíssimo, foi a presença da Sra. Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Penacova, Maria Fernanda Veiga dos Reis Silva, no Cine Teatro de Condeixa. Não me lembro de situação similar com as gentes de cá. Alguém tem conhecimento que um qualquer representante da Câmara de Condeixa tenha acompanhado o nosso Orfeão nas deslocações para fora do Município? Também pudera, se por norma em casa não comparecem, porque motivo iam para fora?
O facto de ser natural do Concelho de Penacova, será esclarecedor do motivo, pelo qual a Sra. Vereadora da Cultura acompanha habitualmente os grupos de Penacova nas suas deslocações? Provavelmente não, mas com certeza deve ajudar, quanto mais não seja pelo amor à terra que as raízes impõem.
Foi sem sombra de dúvidas o bairrismo, o amor à arte, o gosto pela música e pela Cultura que levaram a Filarmónica da Boa Vontade Lorvanense a candidatar-se ao programa da SIC “A Nossa Terra Quer”, com o projecto “O Futuro da música na nossa terra”, e que viria a vencer, resultando para a escola de música novas instalações com novos instrumentos, um piano, bateria e mesa de mistura. A renovação passou também pela aquisição de novos equipamentos, como secretárias e armários, dizem as notícias.
Com uma retaguarda forte e muito profissional no pelouro da Cultura, onde parece não haver crise no apoio, as Associações de Penacova bem se podem candidatar e aventurar-se…enquanto os nossos projectos culturais para Condeixa definham nas gavetas da censura e do esquecimento. Entre outros, refiro os projectos ”Sicó a cantar”, da Escola de Artes e Ofícios, da Escola de Música, etc… apresentados e que não tiveram o aval, nem resposta.
Parece hipócrita, na minha opinião pessoal, tentar colher frutos sem semear.
40.134200
-8.500242
Gostar disto:
Be the first to like this artigo.
Últimos Comentários