Tondela – parte III

6 12 2010

Hoje não vou falar do Concerto de Advento em Tondela.

É costume realçar-se tudo aquilo que está para além dos Concertos e depois do palco como a Terceira Parte - que por norma todos os coralistas apreciam. Já fora de campo, quer dizer fora de palco, passa-se à fase do convívio e da confraternização resultando quase sempre empatias que por norma perduram. Julgo que ontem foi um desses dias.

A recepção da Casa do Povo de Tondela, mais concretamente do seu Coro Polifónico, foi espectacular como não poderia deixar de ser e outra coisa não se esperava. Antes do Concerto e já na Igreja Matriz de Tondela, teve início protocolar  com uma breve cerimónia em que o Sr Presidente da Casa do Povo, Dr Jorge Rodrigues,  chamou “ao palco” o Sr Vereador da Cultura, o Sr Presidente da Junta de Tondela e o Sr Pároco. Foram ainda chamados representantes dos Coros Convidados, tendo o Orfeão de Condeixa sido representado pelo seu Presidente António Couceiro. Depois de breves discursos seguiu-se a troca de singelas lembranças.

O Sr Presidente da Casa do Povo, no meio do Sr Vereador da Cultura da C. M de Tondela e do Sr Pároco, mostra a peça de loiça artesanal de Conímbriga ofertada pelo Orfeão de Condeixa

Serviu a ocasião para mostrar os frutos da Escola de Música da Casa do Povo. A Escola com nove meses de existência e cerca de 5 mil euros em instrumentos, teve uma prestação notável para tão pouco tempo de trabalho.

A juventude de Tondela está em maioria na Escola de Música

A Escola de Música e o Coral de Tondela executaram duas peças em conjunto numa harmonia perfeita entre as vozes e as cordas.
No fim do Concerto aconteceu a confraternização no refeitório do Estaleiro da Câmara Municipal.

Quem disse que é uma foto dum Refeitório dum Estaleiro?

A Câmara Municipal de Tondela está presente em todo o lado.  Até na cozinha onde  funcionárias da Câmara (?) trabalham com alegria.

Grande azáfama na cozinha. Há que deixar tudo impecável. Coralista sofre...

Lê-se num texto de introdução à brochura relativa aos eventos corais do Tondela em Festa 2010, assinado pelos Srs Carlos Marta, Presidente da Câmara Municipal e José Jesus, Vereador do Pelouro da Cultura:
- “… É neste quadro que o apoio à Casa do Povo e, em particular, ao Grupo Coral Polifónico, mesmo em tempos de crise e de dificuldades acrescidas, representa um impulso e um estímulo para valorizar a cultura da nossa região e afirmar o nosso território no contexto regional…É com enorme satisfação que o município se associa a esta iniciativa…”
Os meus parabéns à Câmara Municipal de Tondela pelo trabalho que prestam à Cultura e pela honra de se fazerem representar no Concerto.
Entretando a animação continuava, enquanto a “Queimada” lutava com a hora da partida a pressionar.

A multidão rodeava o contador de anedotas

Ao lado, num rol infindável de anedotas, o contador amarrava os convidados por pouco tempo mais.
O tempo foi escasso para apreciar a “Queimada” que teimava em não ficar “queimada”.
Foi um prazer conviver com as gentes de Tondela, com muita pena minha de o tempo não permitir fotografar os vossos monumentos e paisagens.
Em nome do Orfeão um muito obrigado pela recepção e um Feliz Natal para as gentes de Tondela e em especial para os coralistas, sócios e Direcção da Casa do Povo de Tondela.




Lugares da Minha Terra – Condeixinha (parte II)

29 06 2009

Hoje Condeixinha é uma das estradas mais concorridas da vila, servindo de escoadouro ao infernal trânsito. O barulho incessante dos pneus na calçada de basalto e o som estridente das buzinas, de noite e de dia, põem em franja os nervos dos pobres moradores. Quando a rua não tinha esse indesejado estatuto, era apenas um caminho com as casas encostadinhas umas às outras, recordando a necessidade medieval de protecção colectiva. No inverno, a água desgovernada corria por aquele caneiro natural, formando sulcos na areia branca do solo batido. Logo a seguir à cortada para a Lapa, onde uma súbita corcova mais acentuava a inclinação, era quase impossível circular. Felizmente, naquele tempo os carros tinham rodas altas e as bestas que os puxavam sabiam onde colocar as patas, evitando os buracos do caminho.

"Olhada da Praça..."

"Olhada da Praça..."

Olhada da Praça, a entrada de Condeixinha apresenta-se como uma nesga entre prédios, quase a tocarem-se lá no alto. Logo à esquerda, a marcar o cunho operário do bairro, onde as oficinas e os moinhos se sucediam, um ferrador, arte entretanto desaparecida por falta de animais que usem ferraduras. A oficina alojava-se num velho prédio profundo e escuro, com desconjuntado portão em frente do qual estacionavam carroças e animais cujos excrementos, misturados com o pó da rua, formavam lama, exalando forte e pestilento aroma e atraindo toda a sorte de bicharada. Lá dentro, uma estrutura em madeira, o tronco, onde se amarravam burros, cavalos e bois, para a ferra. Um aprendiz do ofício accionava o grande fole de madeira e cabedal, a soprar as brasas da forja onde os operários punham o ferro ao rubro para mais facilmente o bater na bigorna até formar a ferradura. Com ela ainda quente, aplicavam-na pata do animal. O fumo e o cheiro acre do casco a ser queimado invadiam o local e transbordavam para a rua. Uma curiosa maquineta movida a manivela, cortava o espesso pelo das bestas.

Mesmo em frente, a casa da Ti Maria Barbeira, que era sardinheira. O filho, Octávio (Távio Barbeiro), exercia a profissão de sapateiro no acanhado rés-do-chão. Recordo dele a figura magra de paciente gástrico. Para combater o mal que o levaria cedo demais ao cemitério, costumava colocar grandes quantidades de bicarbonato de sódio na palma da mão, levando esta à boca sem mesmo acompanhar com água.

Ao lado, era a casa das Patitas, duas simpáticas irmãs com mãos de fada para confeccionar toda a qualidade de bolos. Depois, de porta em porta visitavam fregueses certos, transportando os deliciosos pastéis num tabuleirinho de verga, coberto com alvo pano de linho. Saltavam-me os olhos gulosos ao contemplar aquelas verdadeiras tentações, especialmente as cornucópias, com recheio de creme de ovos. Eram estas adoráveis criaturas as pasteleiras da terra, num tempo em que os estabelecimentos do ramo, os cafés, por sinal apenas três, não davam grande importância à especialidade.

Em frente, a casa da Requetinha Rocha, um lindo prédio tendo ao centro, resguardado com portadas de madeira, um nicho do Senhor dos Passos (seria o mesmo de que fala Santos Conceição?). Este prédio, a ameaçar ruína, foi demolido e no seu lugar construíram enorme e inestético edifício onde colocaram um nicho, sem portas de madeira e sim grades de ferro, como a aprisionar uma imagem só presente na altura da Procissão dos Passos.

Depois, o acesso aos Pelomes!

Pelomes ou Pelames, a etimologia é obscura. Há quem diga terem existido no local pombais, nos quais se aproveitavam os excrementos das pombas para curtir peles. Dai o nome, Pelames, sítio de preparação de peles, topónimo ligeiramente alterado como tempo.

Verdade ou não, certo é ter sido um dos mais característicos locais de Condeixinha.

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“… esconder-se envergonhado da ousadia…”

À entrada, um rio a aparecer como por magia debaixo de um muro e logo a esconder-se, envergonhado da ousadia, sob a casa do Dr.Juiz.

Na apertada curva do estreito caminho, o quintal da Ti Rosalina. Hábil na ciência de tirar dores musculares e endireitar ossos, com azeite e mãos mágicas fazia desaparecer num piscar de olhos, o torcicolo mais persistente. Do seu muro, pendiam para a rua os ramos de uma figueira pingo-de-mel, de frutos estaladiços, tentação para a cachopada ante o desespero da legítima dona. Dessa figueira, ficou para a posteridade uma expressão ainda hoje utilizada na terra,”Vai ao Figo”, cuja origem é reveladora dos tempos então vividos. Nessa altura, quando a fome era companheira de muitos lares, a caça de pequenas aves e a fruta apanhada furtivamente pelos quintais, se não satisfaziam todas as necessidades alimentares, pelo menos tinham a virtude de aplacar no estômago o bichinho inquieto. Às crianças rogantes de um pedaço de pão, respondiam as mães desesperadas:”Vai ao figo da Rosalina!”

Mas os Pelomes têm também a casa do Dr. Juiz! Este belo solar do século XIX é hoje uma das poucas casas antigas de Condeixa em perfeito estado de conservação, graças a Fortunato Rocha, filho do antigo proprietário.

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O Dr. Juiz António Pires da Rocha, ilustre condeixense, exerceu durante algumas décadas o seu cargo em várias comarcas. Ainda estudante e em plena monarquia, era acérrimo defensor dos ideais republicanos. Em 5 de Outubro de 1910, no regozijo da implantação da República e já licenciado, ocupou o cargo de Administrador do Concelho e em 1914 foi eleito Presidente da Câmara de Condeixa. De trato afável e integridade a toda a prova, o Dr. Juiz era estimado e considerado por quantos o conheciam. A sua porta, sempre aberta, recebia da mesma forma algum ilustre visitante ou a mais humilde pessoa em busca de conselho ou outro auxílio.

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"na curva apertada" com a Rua de Condeixinha ao fundo

(continua)

texto de Cândido Pereira
edição e fotos de MNujo




Fados em Vila Seca

27 06 2009

Ontem cantou-se o fado  em Vila Seca.

Mais uma vez o pessoal de Vila Seca, na mesma linha que nos vem habituando, brindou os convidados com uma noite bem passada. Nos intervalos dos fados foi servida uma ceia, cantaram-se os parabéns à União Recreativa de Vila Seca e cortou-se o bolo.

Pena, mas mesmo pena é o estado em que se encontram as estradas de acesso a Vila Seca.

Fátima Duarte corta o bolo

Fátima Duarte corta o bolo

mais fotos em  http://orfeaojoaoantunes.blogspot.com/





Feira Medieval Coimbra

16 06 2009
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Cerimónia de abertura

Coimbra, 13 de Junho de 2009

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A tecedeira

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O Bobo

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O vassoureiro

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Teatro de rua

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O burro e o dono

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A florista

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O leproso

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Músicos

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Olaria e ervas aromáticas

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Falcoeiros

fotos de MNujo




Graciosa, Encantada e Abençoada – a Ilha

3 06 2009

Já várias pessoas aqui comentaram a viagem do Orfeão à Graciosa e eu não podia deixar de o fazer também. Tornou-se imperativo que o fizesse, quer porque o dever de gratidão para com aquela gente tão hospitaleira é enorme, quer porque também os de cá não saíram ainda do deslumbramento que foram tais dias.  Difícil continua não comentarmos aqueles momentos quando nos juntamos.

Enfim, que me perdoem a ousadia porque vou falar no plural. Estou certa que não mencionarei nada que os meus colegas não tenham também sentido porque é de sentimentos que vou falar.

Logo à chegada, aquela recepção calorosa, como se de velhos conhecidos estivessem à espera.  A recepção à noite foi indescritível e no dia seguinte,  quando o nosso Presidente quis falar no final da actuação em Sta. Cruz, a emoção estrangulou a fala, mas ainda assim, mudou o nome da Ilha de Graciosa para Ilha Encantada – tal era o deslumbramento.

É para nós uma honra dizer que nos sentimos – a família que veio de longe – e que participou de forma activa na intimidade das Festas com que devotadamente honram o Espírito Santo .

Sentimos que vivemos aqueles dias no limbo, pois a televisão e as notícias em geral não nos ensombraram a existência.  A crise, a politiquice e todas as outras moléstias passaram-nos ao lado.

Foram “dias santos”.

Não sentimos o stress do nosso quotidiano, pois até os animais domésticos reflectiam uma tranquilidade invulgar, a condizer com a calma das pessoas e com aquele azul profundo do mar que estava constantemente no nosso horizonte.

A natureza exuberante, ora nos parecia Sintra, ora o Buçaco, tal era a variedade da flora que veste a ilha. A visita à Furna do Enxofre, emoldurada por luxuriante vegetação foi um prazer para os sentidos. A descida aventureira até ao fundo, e constatar a força da natureza em ebulição a confrontar-nos com  a nossa insignificância,  mexeu connosco. Parecíamos um pouco imbuídos na magia de Júlio Verne e sua “Viagem ao Centro da Terra”.

Tenho ainda de referir  aqueles serões memoráveis, passados nos nossos aposentos colectivos.  Se os de lá se preocuparam em preencher-nos a agenda durante o dia, os de cá ocuparam-se em não dar descanso às noites. E isso foi bom! Esta estadia de cinco dias pôs-nos a todos à prova e o resultado foi salutar e excelente. Os laços entre nós ficaram mais estreitos e o sentimento de união mais reforçado.

Não esquecerei jamais tanta gente boa que nos acompanhou, alimentou e guiou naqueles dias. Só espero poder contribuir para lhes retribuir, mas também para os reencontrar e acabar com esta crescente nostalgia.

Tenho a convicção que a devoção ao Espírito Santo, ao fazer tão intrinsecamente parte das suas existências, contribuirá para aquela serenidade e calor humano. Certamente nós fomos de alguma forma também tocados, porque as despedidas foram demasiado comovidas e intensas, eles de nos verem partir e nós a partir e já com vontade de voltar.

Vivemos intensamente cada momento desta estadia, tão longa em afectos mas temporalmente tão curta.

Por isso, além de Encantada, a Ilha  Graciosa é também Abençoada.

Benção da Bandeira

Benção da Bandeira

As coroas de Santo Cristo

As coroas de Santo Cristo

Participação do Orfeão

Participação do Orfeão

A passagem de testemunho

A passagem de testemunho

texto de
Fernanda Monteiro
Coralista e Secretária da Direcção
edição de
MNujo




Luz – Graciosa

26 05 2009
paisagem_moinho

Em dias de boa visibilidade avista-se São Jorge e o Pico

cavalo

Nem aqui se respeita o Código da Estrada

flor1

O colorido da flora sobressai entre as rochas

Burro

Ainda restam algumas relíquias - carro com eixo e rodas de madeira

igreja

Igreja da Luz vista à noite (foto tirada sem tripé)

moinho

É impressionante a quantidades de moinhos de vento na maioria recuperados para habitação

testemunho

As Festas do Espírito Santo são muito singulares na Luz

As chaminés com base trapezoidal sobressaem no horizonte com as suas formas variadas

As chaminés com base trapezoidal sobressaem no horizonte com as suas formas variadas

 
 
2009
fotos de MNujo







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